Africanas em uma partida de futebol: Miséria não põe fim ao sonho
Maquiagem, biquines, salto alto, unhas feitas e uma bola de futebol. O esporte das multidões tem ganhado diferentes percepções na sociedade brasileira. E embora a ascensão das mulheres na economia, na política e no meio esportivo tenha aumentado, esse pensamento sobre a insersão feminina ainda está nos primeiros momentos de gestação, tanto para os homens, como para as próprias protagonistas da mudança.
A mulher enquanto objeto de consumo e desejo continua no topo da lista, indo de encontro justamente à temática de liberdade, respeito e igualdade. Enquanto caminhamos de encontro ao que dezenas de mulheres lutaram para conseguir, esbarramos nos preconceitos enraizados e no machismo presente também em nós.
O futebol, além de arte, é ferramenta de igualdade e política. Ele une povos,classes, raças, desmistifica conflitos e “acalma” nações. Em regiões pobres, o futebol é a fuga de uma realidade marcada por fome, miséria, guerras, tortura e genocídios. E mesmo um esporte tão “simples”, ainda tão poucos têm acesso.
Para muitos, o futebol é a única saída para uma vida melhor
Guardas palestinos jogam futebol no quartel-general do Hamas, em Gaza, no primeiro dia da trégua com Israel
Na África do Sul, um grupo de mulheres luta para instaurar o futebol como esporte em uma região rural do país. A carência esportiva é consequência, principalmente, do Apartheid, malogrado regime político racista que discriminava os negros e restringia os seus direitos. O presidente do Comitê Organizador da Copa de 2010, Danny Jordaan, classificou essa miséria cultural como um dos piores legados do sistema político.
Eu, enquanto mulher, honro o papel feminino no esporte e em diversos degraus da organização política e econômica nacional. Se não podemos abolir concursos desse tipo, votemos nos protagonistas das histórias mais bonitas. Aquelas que experimentam todos os dias as belezas e as alegrias que arte do futebol bretão proporciona são as mais fortes candidatas. Portanto, para musas, eu voto nelas.
